Vídeo mostra paciente com KPC entre leitos da enfermaria do Hospital Mário Gatti
19/03/2026
(Foto: Reprodução) Família de paciente internada no Hospital Mário Gatti cita risco de contágio por KPC
O Hospital Mário Gatti, em Campinas (SP), identificou mais um caso de contaminação com a bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase, conhecida pela sigla KPC. Desta vez, na enfermaria da unidade, e não na UTI, que tem nove casos confirmados e foi fechada por conta do surto.
Um vídeo feito por familiares de uma paciente, nesta quinta-feira (19), mostra que entre os leitos na enfermaria, há um com uma placa alertando sobre o risco de contaminação: "Precaução de contato, KPC", diz o texto - assista acima.
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Em nota, a Rede Mário Gatti, responsável pelo hospital municipal, defendeu que se trata de um caso isolado na enfermaria, que não tem qualquer relação com o surto registrado na UTI adulto.
Segundo a rede, "a identificação de pacientes com micro-organismos multiresistentes, como a KPC, faz parte das rotinas de vigilância e segurança assistencial do hospital".
Quarto privativo e isolamento
Ainda de acordo com a Rede Mário Gatti, após o resultado pronto na tarde desta quinta, as equipes iniciaram medidas de precaução de contato e um quarto privativo foi liberado para isolamento da paciente, que deve ser transferida nas próximas horas".
"O tempo de estadia da paciente em quarto coletivo da enfermaria, desde que saiu o resultado, é o prazo entre fazer a limpeza terminal do leito e transferir a paciente", completou.
O que é?
A KPC faz parte de um grupo de bactérias que são resistentes a antibióticos, por isso, é chamada de superbactéria;
O agente infeccioso produz uma enzima que destrói vários antibióticos, medicamentos mais usados em casos de infecções bacterianas;
A superbactéria foi identificada no Brasil no início dos anos 2000; desde então, surtos são registrados de tempos em tempos em unidades de saúde.
Como surge?
Segundo o infectologista e professor da Unicamp, Plínio Trabasso, o surgimento desse tipo de bactéria é uma consequência da utilização de antibióticos potentes no ambiente hospitalar ao longo dos anos.
"Elas vão se tornando resistentes aos antibióticos que a gente vai utilizando e por isso elas são mais prevalentes nesse próprio ambiente. É muito importante fazer o controle da disseminação, inclusive, porque o tratamento é dificultado", explica.
Cultura da KPC em uma placa de Petri; foto de 2013
Reprodução/EPTV
Quais são os sintomas?
Ainda de acordo com Trabasso, as infecções mais comuns em diagnósticos de KPC são:
infecções de corrente sanguínea (sepse)
pneumonia
infecções do trato respiratório
infecções urinárias, embora menos frequentes
infecções de feridas operatórias
Como prevenir?
A KPC atinge de forma mais frequente pacientes internados que estão com a imunidade debilitada, como em em UTIs, por exemplo.
A transmissão ocorre por meio do contato com os fluidos da pessoa infectada ou por aparelhos de ventilação mecânica, cateteres e sondas;
Se há alguma falha no processo de higiene e desinfecção do ambiente hospitalar, ela pode aparecer e se alastrar de pessoa para pessoa. É a chamada transmissão cruzada;
A infecção fora do ambiente hospitalar também pode ocorrer, mas a incidência é baixa.
O médico infectologista ressalta a necessidade de ter atenção e cuidado, em especial:
para a população em geral: realizar sempre higiene das mãos, seja com água e sabão comum ou com álcool gel, após ter contato com as pessoas.
para os profissionais de saúde: obedecer as regras específicas de higiene e segurança.
Fachada do Hospital Mário Gatti, em Campinas (SP)
Reprodução/EPTV
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