Região de Campinas tem média de 4 casos de violência contra mulher por hora; 75,7% envolvem relações amorosas
07/05/2026
(Foto: Reprodução) Regiões de Campinas e Piracicaba registram 13 mil casos de violência doméstica no 1º trimestre de 2026
Dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) revelam que a região de Campinas (SP) registrou uma média de 4 ocorrências de violência contra a mulher a cada hora no primeiro trimestre de 2026. De acordo com o balanço, ao menos 75,7% dos casos envolvem maridos, parceiro estável ou outro envolvimento amoroso não especificado.
✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp
Ao todo, foram 7,8 mil ocorrências, entre janeiro e março, na 2ª Delegacia do Interior (Deinter-2), que é sediada na metrópole e abrange 38 municípios. Ainda segundo números extraídos do Painel sobre Vítimas da Violência Doméstica da SSP, a relação entre as vítimas e os agressores também inclui parentes, amigos e conhecidos (veja a tabela abaixo).
janeiro: 2.703
fevereiro: 2.488
março: 2.684
Entre as naturezas mais frequentes, a ameaça aparece em primeiro lugar, com 2.235 ocorrências, seguida por calúnia, difamação e injúria, e lesão corporal dolosa. Os números também indicam a presença de diferentes formas de violência, que vão além da agressão física e incluem casos de perseguição, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas.
O balanço não inclui feminicídios.
Dos 21 aos 45 anos, brancas e pardas
O recorte por faixa etária mostra que a maior parte das vítimas está concentrada na faixa dos 21 aos 45 anos, com pico dos 31 aos 35, que reúne 1.183 ocorrências. O padrão indica predominância de casos envolvendo mulheres em idade adulta, mas os registros, no geral, envolvem meninas e mulheres em grupos que vão de 0 aos 95 anos.
O recorte por cor da pele mostra maior concentração entre vítimas brancas, que representam 44,32% do total. Em seguida aparecem mulheres pardas, com 25,75%, e as classificadas como "ignorado", que correspondem a 24,77% dos registros. Mulheres pretas representam 4,89% dos casos, enquanto mulheres amarelas somam 0,24%.
Violência que não marca a pele
Na região de Piracicaba (SP), abrangida pelo Deinter-9, o número de ocorrências no mesmo período foi de 5,4 mil. A delegada Olívia Fonseca, da Delegacia de Defesa da Mulher, diz que tem notado, principalmente, o aumento no número de casos que vão além da violência física.
"Só se considerava violência o que deixava marca na pele, lesão corporal. Hoje com as campanhas de conscientização, a gente está mostrando para as mulheres que a violência começa muito antes da agressão física. Começa no abuso psicológico, na humilhação e no comportamento vexatório".
Olívia lembra que denunciar esses casos é fundamental para sair do ciclo de violência. "Tem que procurar a delegacia, tem que denunciar. Se não quiser procurar a delegacia, pode ligar no 180, pode fazer via DDM online. O que interessa é comunicar essa violência".
"A mulher que se cala, o silêncio mata. O melhor é sempre a denúncia, prioritariamente", completou a delegada.
Violência contra a mulher, estupro, mão de socorro
Nino Caré/Pexels
Conheça rede de apoio a mulheres vítimas de violência em Campinas
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.