Peças de armas feitas em impressoras 3D foram vendidas em plataformas de e-commerce

  • 13/03/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia Civil faz ação contra venda de armas produzidas por impressoras 3D A investigação da Operação Shadowgun identificou que armas e peças produzidas com impressoras 3D foram comercializadas em plataformas de e-commerce usadas no Brasil. A informação foi confirmada nesta terça-feira (12) pela coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio, Letícia Emile, durante coletiva sobre o caso. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Segundo ela, os investigadores detectaram anúncios e transações envolvendo componentes de armamentos vendidos em sites de comércio eletrônico. "A utilização dessas armas vem sendo constatada, inclusive pela polícia aqui do nosso estado, em apreensões já realizadas aqui. O que nos chamou atenção (...) foi que eles comercializavam essas peças e assessórios em plataformas de e-commerce", revelou. Algumas das armas produzidas em impressoras 3D Reprodução De acordo com a promotora, as investigações identificaram 75 transações envolvendo esses produtos, em diferentes regiões do país. "Foram detectadas, aproximadamente, 75 transações no Mercado Livre envolvendo a compra e venda dessas peças. Para além da consultoria, foram identificadas essas compras", reforçou Letícia. Para o Ministério Público, o uso dessas plataformas amplia o risco de disseminação do armamento. "Isso nos trouxe a preocupação do acesso ao público a essas armas, sobretudo adolescentes, que possuem essa utilização desse tipo de plataforma, como qualquer um de nós a utiliza", disse. Segundo a investigação, parte dos compradores identificados possui ligação com atividades criminosas. "Esses compradores foram alvos de busca e apreensão em todo Brasil. Foi detectado que alguns desses compradores eram envolvidos com o crime organizado, seja no tráfico de drogas, seja em milícia, ou em homicídios", contou Letícia. Letícia Emile, coordenadora do Gaeco. Reprodução TV Globo Quadrilha oferecia suporte técnico As investigações também apontaram que o grupo não apenas vendia armamentos produzidos com impressoras 3D, mas também comercializava o projeto digital necessário para fabricar as armas. Segundo o procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira, os suspeitos ofereciam instruções detalhadas e até suporte técnico aos compradores. "E agora o que surgiu a partir dessa investigação foi algo diferente. Não são fábricas, são pessoas (...) que idealizaram um projeto digital e passaram, além de comercializar as armas fabricadas, passaram a comercializar esse projeto, oferecendo inclusive um tutorial e acompanhamento técnico". Operação em 11 estados mira esquema de venda de armas produzidas em impressoras 3D; 4 são presos Reprodução TV Globo De acordo com o procurador, esse modelo permite que qualquer pessoa com acesso à tecnologia possa produzir o armamento em casa. "Isso é extremamente preocupante porque permite que qualquer um a partir desse projeto digital e uma impressora 3D possa produzir, fabricar armas de fogo". Produção caseira de R$ 800 Investigadores também alertaram para o baixo custo de fabricação dessas armas. Segundo o delegado Marcos Buss, titular da 32ª DP (Taquara), um dos modelos investigados na operação é a carabina Urutau, desenvolvida por um brasileiro que usava o pseudônimo “Zé Carioca”. "Em 2024, um indivíduo escondido pelo pseudônimo de Zé Carioca, ele desenvolveu uma nova carabina, que ele denominou de Urutau, que pode ser integralmente fabricada por uma impressora 3D". Peças de armas feitas em impressoras 3D foram vendidas em plataformas de e-commerce. Reprodução De acordo com o delegado, o modelo pode ser produzido dentro de casa com materiais de baixo custo. Segundo os investigadores, a fabricação do armamento pode custar cerca de R$ 800. "Essa carabina Urutau ela pode ser fabricada integralmente na casa das pessoas". Risco de radicalização Durante a coletiva, o procurador-geral de Justiça também alertou para o risco de disseminação dessas armas entre grupos radicais. Segundo ele, a facilidade de produção pode ampliar o acesso ao armamento fora de qualquer sistema de controle. "Esse grupo estimula pessoas, sobretudo, jovens a fazer e portar armas de fogo, com o argumento que esse seria um direito de todos. Isso é muito perigoso porque retira do Estado (...) qualquer possibilidade de controle". Impressoras 3D eram usadas para fabricar armas e acessórios Reprodução Ele também afirmou que esse tipo de tecnologia pode ser utilizado por grupos extremistas. "Essas armas podem inclusive ser utilizadas não somente pelas organizações criminosas tradicionais (...) por cidadãos comuns e por grupos de fanáticos, por grupos terroristas". Operação mira esquema em 11 estados A Operação Shadowgun foi deflagrada pela Polícia Civil do Rio, pelo Ministério Público e pelo Ministério da Justiça para desarticular um esquema interestadual de produção e venda de armamentos fabricados com impressoras 3D. Até a última atualização da operação, quatro homens haviam sido presos, incluindo o apontado como chefe da quadrilha. Ao todo, agentes cumpriram cinco mandados de prisão e 36 de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outros nove estados. As investigações identificaram 79 compradores em todo o país, incluindo pessoas com antecedentes por tráfico de drogas, homicídio e outros crimes. No Rio de Janeiro, foram identificados 10 compradores, na capital, na Região dos Lagos e no Norte Fluminense. Os investigados responderão na Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/03/13/pecas-de-armas-feitas-em-impressoras-3d-foram-vendidas-em-plataformas-de-e-commerce.ghtml


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