'Made in Itapê': Itapetininga completa 256 anos com produtos que conquistam o Brasil e o mundo

  • 05/11/2026
(Foto: Reprodução)
Itapetininga completa 256 anos com produtos que conquistam o Brasil e o mundo Itapetininga (SP) comemora 256 anos de história nesta quinta-feira (5), unindo a tradição cultural do tropeirismo, o famoso bolinho de frango e o legado histórico como polo de formação educacional ao posto de potência econômica do interior paulista. Em uma década, o Produto Interno Bruto (PIB) do município alcançou R$ 8 bilhões, um salto de 123%, mais que dobrando a riqueza local, segundo dados consolidados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Vista aérea de Itapetininga (SP) Divulgação/Prefeitura de Itapetininga Além da força no campo, a engrenagem que sustenta o crescimento financeiro do município está cada vez mais diversificada. A prefeitura aponta que os serviços e o comércio correspondem a 55,4% da riqueza produzida, enquanto a indústria equivale a 25%. Já a agropecuária direta, considerada o "forte econômico" da cidade, fica entre 7 e 12%. Confira o gráfico abaixo: Parte desses produtos também ultrapassa as fronteiras do município e chega a diferentes regiões do estado, do país e até do mundo, como é o caso da soja. Pensando nisso, o g1 conversou com empreendedores que produzem itens na cidade e que, impulsionados pela globalização, podem ser encontrados em diferentes lugares do mundo. O termo "made in Itapê" - ou feito em Itapê - é justamente o slogan da marca de roupas criada pela produtora de moda Laura Paiva. Segundo ela, a Nefertih Clothing nasceu da vontade de "fazer moda de um jeito diferente", já que não se identificava com o mercado da moda como ele funciona atualmente. "Nunca me contentei com rumo da indústria da moda atual: o fast fashion, no qual as roupas são feitas para durarem pouco. O sistema é pensado para se produzir muito e se consumir demais. Então, pensei em ir contra a maré: fazer uma moda sustentável, politizada e ética", comenta. Roupas são produzidas em Itapetininga (SP) Divulgação/Nefertih Clothing A designer lembra que o período da pandemia da Covid-19, entre 2020 e 2022, foi crucial para que isso ocorresse. A marca segue o estilo slow fashion, com a maior parte da produção sendo feita inteiramente em Itapetininga. "Foi natural colocar o 'made in Itapê' nas marcas e nas estampas das peças, como camisetas, bonés, chinelos e meia. Ao menos 80% da nossa produção é local, e feita aqui em Itapetininga. Os produtos que não são confeccionados na cidade levam o mesmo tipo de produção que o nosso, mais lenta, responsável e sustentável. Acompanhamos sempre de perto", destaca. Laura é produtora de moda e designer Reprodução/Redes sociais Laura aponta que, apesar das roupas serem feitas em uma cidade relativamente pequena - com pouco mais de 160 mil habitantes -, Itapetininga já "viajou o mundo" por meio das roupas produzidas pela marca. Em seis anos, ela já enviou peças para diferentes países, como Irlanda, Inglaterra e França. "A maior parte da venda é na cidade e na região 015 [DDD], mas temos vendas para fora da cidade, do estado e também do país. Já enviamos para São Paulo, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Rio de Janeiro, Manaus, Paris, Dublin.", lista Com o slogan 'Made in Itapê', marca de vestuário itapetiningana investe em moda sustentável e já vendeu peças para outros países Redes Sociais/Divulgação Ao g1, Laura afirma que é muito gratificante ver a linha alcançar localidades distantes em pouco tempo. A marca, para ela, ressalta as origens itapetininganas e fortalece o comércio local. "É muito gratificante e especial, pois ressalta as minhas origens e os principais objetivos dessa coleção, que é justamente fortalecer o comércio local, valorizar a produção independente e exaltar a criatividade de quem faz acontecer na nossa cidade", pontua. A empreendedora acredita que as peças também ajudam a expressar o sentimento de pertencimento à cidade. "É uma coleção para vestir o orgulho de ser de Itapetininga e lembrar que, quando valorizamos o que é nosso, ajudamos a construir o futuro de onde vivemos", finaliza Laura. LEIA TAMBÉM Merendeiras de Alambari vencem concurso estadual com receita típica: 'Digna de prêmio', diz aluna Antes dos cemitérios, mortos eram enterrados em igrejas com divisão por classe social em Itapetininga Por que alguns fungos brilham? Parque no interior de SP abriga espécies bioluminescentes; entenda Feito com soja de Itapê Em outro ramo do comércio, a Indústria de Alimentos Saudáveis de Itapetininga (Iasi) também tem chamado a ganhado espaço. A engenheira de alimentos Beatriz Ziglio contou ao g1 que a empresa é "recém-nascida", atuando no mercado há apenas três meses. "A Iasi é uma empresa nova na cidade e a nossa intenção é expandir os produtos na área dos saudáveis. Nós compramos a soja daqui, fomentando a região e fazendo uso das matérias-primas de Itapetininga", pontua. Conforme a profissional, a empresa surgiu como uma alternativa a outros alimentos saudáveis e "funcionais". Em comparação a outros itens no mercado, os demais possuem uma grande adição de açúcar - o que é criticado pela Iasi. "A empresa já existia anteriormente com bebida de castanha, e nem ficava em Itapetininga. Mas, ela veio para a cidade, mudaram a razão social e hoje é a Iasi. Temos a intenção de fornecer produtos mais saudáveis porque, hoje, vemos alternativas de bebidas vegetais no mercado com muita adição de açúcar. Estamos em uma pegada de poder oferecer produtos mais inteligentes", explica. Produto é produzido em Itapetininga (SP) Arquivo pessoal Inicialmente, o principal produto da indústria de alimentos saudáveis é uma bebida vegetal proteica à base de soja, produzida de forma vegana. A expectativa é que, futuramente, a empresa amplie o catálogo e lance novas versões com diferentes sabores. "Estamos começando um trabalho de expansão e contratamos uma equipe para ampliar as vendas. O produto atende a públicos com restrições alimentares, que não podem consumir leite de origem animal. É uma alternativa para quem procura uma opção mais saudável, já que é bastante rico em proteínas", detalha Beatriz. O processo de fabricação começa com o processamento dos grãos de soja. Segundo ela, a bebida é extraída por meio de um equipamento especializado, que permite aproveitar as diferentes etapas de produção do ingrediente. "Recebemos o grão de soja e, por meio dele, fazemos todo o processo dentro da empresa: receber, descascar, moer, cozinhas e extrair por meio de um equipamento. É um produto pasteurizado, e esse processo é interessante para conservar a microbiota favorável à alimentação", compartilha. A marca Iasi produz bebida à base de soja a partir dos grãos plantados em Itapetininga (SP) Redes Sociais/Divulgação Atualmente, o foco do empreendimento é atender aos empórios e um público mais seleto em toda a região. Em breve, a distribuição será ampliada à Grande São Paulo, após a assinatura de um contrato exclusivo. "Nós entendemos que o produto é da classe A e B, então, nosso foco principal é atender o público mais seleto. A intenção é expandir para outras cidades que tenham esse tipo de público. Estamos sendo bastante procurados para alimentação infantil, de crianças que não podem com lactose ou têm restrição alimentar", revela. Por ser uma bebida vegetal rica em proteínas, o produto também tem conquistado consumidores da terceira idade, que buscam alternativas para complementar a alimentação. "Além disso, também atendemos ao público de idade mais avançada, por ser bastante rico em proteínas, mesmo sendo um produto vegetal. Atualmente, produzimos cerca de 150 litros por mês", completa. Exportações em alta Segundo o ComEx Stat, Itapetininga exportou cerca de US$ 451,5 milhões penas em 2025. O número é 126,7% maior em comparação ao ano anterior. Já as importações tiveram uma queda de 45,8%. A corrente de comércio, que significa a somatória das exportações e das importações de um país, chegou a US$ 493 milhões. Entre as localidades que compram produtos de Itapetininga, estão países asiáticos e europeus. Veja a lista: China: 71%; Holanda: 4% Chile: 2,8%; México: 2,3%. Dos itens vendidos, a soja corresponde à esmagadora maioria, com 70%. Os demais destaques são painéis de partículas de madeira, sucos de frutas, obras de plástico, carne de aves, painéis de fibras de madeira e ovos. Soja em Itapetininga (SP) Prefeitura de Itapetininga/Divulgação Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/11/05/made-in-itape-itapetininga-completa-256-anos-com-produtos-que-conquistam-o-brasil-e-o-mundo.ghtml


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