Fachin diz a Andrei que PF deve enviar ao STF todas as menções a ministros no caso Master em 'caráter estritamente descritivo'
13/10/2026
(Foto: Reprodução) O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, disse nesta terça-feira (13), após reunião com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que "todas as menções encontradas sem exceção" a ministros da Corte no caso Master devem ser encaminhadas ao Supremo e em "caráter estritamente descritivo".
Em nota divulgada após a reunião, Fachin ressaltou ao diretor-geral que eventual abertura de investigação contra ministro da Corte depende do aval do plenário.
"O Presidente esclareceu que a eventual realização de atos de investigação de Ministro depende de autorização do Plenário da Corte, observadas as disposições constitucionais, legais e regimentais aplicáveis. Ressaltou que a autoridade policial tem o dever de encaminhar todas as menções encontradas sem exceção, acompanhadas de seu contexto, em caráter estritamente descritivo", diz a nota.
Agora no g1
A orientação foi dada durante audiência realizada nesta terça-feira (13) com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. De acordo com a nota, o encontro foi solicitado pela própria Polícia Federal.
O encontro também tratou do andamento das investigações relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Banco Master.
Nesse ponto, a Presidência do STF informou que aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para definir os encaminhamentos e analisar pedidos pendentes.
Além disso, foram discutidas questões relativas à segurança institucional e a ameaças dirigidas a ministros do Supremo. Segundo a nota, Fachin ressaltou a importância da atuação preventiva e coordenada dos órgãos responsáveis pela proteção dos magistrados e pelo funcionamento das instituições.
O presidente do STF também pediu celeridade à Polícia Federal na análise das diligências pendentes e na conclusão do inquérito das fake news. De acordo com o comunicado, a PF informou que avaliará as medidas ainda em andamento no caso.
Presidente do STF, ministro Edson Fachin, e diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em reunião nesta terça-feira (13)
Gustavo Moreno/STF
Crise 'Master' no STF
As ligações de ministros do STF com o caso Master começaram em abril de 2025, quando a colunista Malu Gaspar, do jornal "O Globo", revelou a contratação do escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes pelo Banco Master para representação em algumas ações.
Em dezembro, foi publicado que o contrato era de cerca de R$ 130 milhões e, neste ano, a PF apontou que o ministro foi interlocutor ao menos de 52 mensagens de Vorcaro, inclusive no dia em que foi preso.
Depois, surgiram negócios que envolviam o ministro Dias Tóffoli com fundos do Banco Master na sociedade de um resort da família do ministro no Paraná, o que levou o ministro a deixar a relatoria do caso Master e a se declarar suspeito para analisar questões da investigação na Segunda Turma do Supremo.
No mês passado, surgiram mensagens que citavam envolvimento com Daniel Vorcaro, do ministro Nunes Marques, do filho dele, também envolvendo contratações, e do filho do ministro Luiz Fux, por susposto pedido de ajuda em um processo.
Em relação ao ministro André Mendonça, foi divulgada uma foto com advogado de Vorcaro, um encontro com o banqueiro e um pedido de investigação de uma possível relação entre o Banco Master e o Instituto Iter — ligado ao ministro. Também foi identificada a contratação de Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, por Vorcaro, além de uma reunião e tentativas de aproximação.
Todos os ministros e familiares negam irregularidades ou envolvimentos com Daniel Vorcaro.Durante reunião entre o presidente do STF e o diretor-geral da PF, Fachin ressaltou que eventual abertura de investigação contra ministro da Corte depende do aval do plenário.