CNJ afasta desembargador suspeito de abuso sexual em Minas Gerais
27/02/2026
(Foto: Reprodução) Conselho Nacional de Justiça afasta desembargador suspeito de abuso sexual, em Minas Gerais
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou o desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), suspeito de abuso sexual. A Polícia Federal esteve na sede do tribunal, em Belo Horizonte, para dar apoio à equipe do CNJ durante o afastamento do magistrado.
A conduta de Magid Láuar é investigada pela Corregedoria Nacional do CNJ e pela Justiça de Minas. Ele começou a ser investigado depois de ter votado pela absolvição de um homem acusado de estupro de uma menina de 12 anos.No início de fevereiro, Magid Láuar e o desembargador Walner Azevedo absolveram um homem condenado por estupro de vulnerável.
O réu, à época com 35 anos, se relacionava com uma menina de 12 anos em Indianópolis, no Triângulo Mineiro. Em janeiro, ele e a mãe da menina foram condenados em primeira instância, mas, neste mês, os desembargadores julgaram o recurso e absolveram os dois.
O caso gerou reação e o CNJ começou a investigar. Nesta semana, o desembargador Magid Láuar voltou atrás e condenou o homem e a mãe da vítima.
CNJ afasta desembargador do TJMG suspeito de abuso sexual em Minas Gerais
Reprodução/TV Globo
Em meio à investigação, surgiram denúncias de abuso sexual contra Magid Láuar. O CNJ já ouviu cinco possíveis vítimas de abuso sexual. Um primo de segundo grau do desembargador, Saulo Láuar, analista do Ministério Público de Minas Gerais, também foi ouvido e relatou ter sido vítima de constrangimentos e de abuso pelo magistrado quando tinha 14 anos, ao ser chamado para ir até a casa de Magid em Ouro Preto.
"Essa motivação foi essa correspondência da dor que eu vivi", disse Saulo Láuar. "Houve a tentativa do ato em si e eu consegui sair, depois disso ele me ligou, pediu desculpas e não tocamos mais no assunto."
Primo de segundo grau do desembargador, Saulo Láuar, relatou ter sido vítima de constrangimentos e de abuso pelo magistrado quando tinha 14 anos
Reprodução/TV Globo
O Conselho Nacional de Justiça afirmou que a maioria dos casos prescreveu porque são antigos — de quando Magid Láuar atuou como juiz nas cidades de Ouro Preto e Betim. No entanto, surgiram relatos mais recentes.
O CNJ declarou que, para manter a integridade das investigações, afastou de forma cautelar o desembargador de suas funções.
A Corregedoria Nacional de Justiça destacou que a medida é proporcional à gravidade dos relatos e reforçou que os procedimentos disciplinares não configuram juízo prévio de culpa, mas buscam preservar a credibilidade da magistratura.
O Tribunal de Justiça de Minas informou que será convocado magistrado de primeiro grau para substituir Magid Láuar na relatoria dos processos e na atuação na 9ª Câmara Criminal do TJ. O tribunal disse ainda que contribuirá com a apuração dos fatos envolvendo o desembargador.
O desembargador Magid Láuar disse que não vai se manifestar sobre as denúncias.
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