Após acidente em cadeia de Tupi Paulista, Justiça do Trabalho passa a julgar casos sobre segurança de detentos

  • 02/06/2026
(Foto: Reprodução)
Justiça do Trabalho passa a julgar casos de acidentes laborais em cadeias Após uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de Presidente Prudente (SP), a Justiça do Trabalho passará a julgar casos relacionados à segurança dos detentos durante atividades laborais. O processo foi movido a partir de um acidente registrado na cadeia de Tupi Paulista (SP). Segundo informou o órgão na segunda-feira (1º), a ação foi proposta para obrigar o governo estadual a garantir que os ambientes de trabalho destinados aos presos cumpram as normas de segurança e saúde previstas na legislação. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp No entanto, o estado de São Paulo havia questionado a ação, argumentando que, como o trabalho nas prisões faz parte da execução da pena, o assunto deveria ser tratado por outros juízes e, não, pelos especializados em questões trabalhistas. A discussão começou após o acidente registrado em 24 de dezembro de 2024, em uma unidade prisional feminina de Tupi Paulista. Na época, a detenta teve parte do dedo mínimo da mão direita amputado ao se machucar enquanto operava uma máquina de fazer pão que estava sem as proteções de segurança necessárias. No documento da ação civil, o laudo técnico e o manual da máquina confirmaram a ausência de dispositivos de intertravamento e proteções físicas que impediriam o acesso às zonas de perigo com o equipamento em movimento. A situação apresentada vai contra a Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho brasileiro (NR-12), a respeito de segurança em máquinas e equipamentos. LEIA TAMBÉM: Mulheres vítimas de violência receberam R$ 822 mil em auxílio-aluguel no Oeste Paulista; saiba como buscar apoio Polícia Civil apreende ‘pods’ e ‘vapes’ vendidos ilegalmente em casa no interior de SP Homem é preso por agredir companheira com soco no rosto e ameaçá-la de morte no interior de SP Penitenciária feminina de Tupi Paulista (SP) SAP/Arquivo Ausência de segurança no trabalho Além disso, segundo a ação, a gravidade da situação foi destacada pela postura da administração penitenciária. Isso porque consta nos autos que a corregedoria e a direção da unidade prisional se recusaram a fornecer documentos essenciais à investigação do MPT, dificultando o acesso a laudos de inspeção e prontuários médicos. Na decisão, o juiz Claudio Issao Yonemoto explicou que, após as mudanças na Constituição em 2004 (Emenda Constitucional nº 45/04), a Justiça do Trabalho passou a ser responsável por qualquer tipo de relação de trabalho, não apenas entre patrões e empregados formais. Ministério Público do Trabalho de Presidente Prudente (SP) Reprodução/Google Maps Além disso, o magistrado reforçou que a lei que rege a vida nas prisões obriga que as normas de segurança e higiene sejam seguidas durante o trabalho do detento. Conforme o MPT, o juiz declarou que o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana (Art. 1º, III, CF) e o Princípio da Proteção Integral impedem que o Estado utilize a condição de detento como salvo-conduto para submeter trabalhadores a condições degradantes ou inseguras. "A omissão estatal na manutenção de máquinas e na capacitação das internas gera responsabilidade civil objetiva e autoriza a imposição de obrigações de fazer por esta Justiça Especializada", continuou o juiz, na decisão. Complexo Penal de Tupi Paulista (SP) Ana Claudia Palacio/TV TEM A defesa do réu questionou judicialmente a competência da Justiça do Trabalho para julgar o caso, argumentando que a atividade laboral do preso possui "natureza terapêutica e ressocializadora", portanto regido pela Lei de Execução Penal, o que direcionaria a competência para a Justiça Comum Estadual. Segundo a decisão, a súmula nº 736 do Supremo Tribunal Federal já define que o fato de o trabalhador ser presidiário não tira da Justiça do Trabalho o poder de atuar em casos de acidentes de trabalho. Diante da situação, o MPT de Presidente Prudente pediu que o Governo de São Paulo seja condenado a pagar ao menos R$ 100 mil por danos morais coletivos. O pedido, no entanto, ainda depende do julgamento do mérito da ação. O g1 entrou em contato com a Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo (SAP), que não se manifestou até a última atualização desta reportagem. A Procuradoria Geral (PGE) disse, em nota, que já apresentou defesa no processo e aguarda o resultado do julgamento definitivo da ação. Penitenciária feminina de Tupi Paulista (SP) Ana Claudia Palacio/TV TEM Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2026/06/02/apos-acidente-em-cadeia-de-tupi-paulista-justica-do-trabalho-passa-a-julgar-casos-sobre-seguranca-de-detentos.ghtml


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